Comunicado · Notícias e atualizações
OSCs denunciam o número de peixes mortos arrastados para a costa em plena quarentena da COVID-19
É preocupante ouvir relatos de peixes mortos dados à costa e a juncar o litoral das comunidades piscatórias do Niger Delta, sobretudo quando a Nigéria e o resto do mundo enfrentam um confinamento forçado para conter a propagação da pandemia de COVID-19. Isto levantou várias perguntas: o que está a acontecer? Qual é a causa? Quem é o responsável? E o que se pode fazer? Trata-se de uma ameaça aos ecossistemas marinhos, pois aquilo que é responsável pela morte dos peixes pode afetar outros componentes do ecossistema, bem como a saúde e os meios de subsistência das comunidades que dependem das águas afetadas para sobreviver.
A notícia de peixes mortos a dar à costa surgiu pela primeira vez a 20 de fevereiro de 2020, quando habitantes do reino de Ogbulagha, na área de governo local de Burutu, no estado do Delta, relataram a morte massiva de peixes, a flutuar e a juncar as suas margens. Este incidente continuou a repetir-se noutras comunidades piscatórias ao longo do litoral atlântico, nos estados do Niger Delta de Bayelsa, Rivers e Akwa Ibom. A espécie de peixe mais afetada é a corvina, popularmente chamada peixe Broke-Marriage ou Onah no dialeto local.
A causa imediata dos peixes mortos a dar à costa ainda é desconhecida, mas há especulações de que possa não ser alheia às atividades das empresas multinacionais de produção de petróleo e gás que operam na região. Habitantes, ativistas ambientais e outras partes interessadas apelaram às entidades reguladoras competentes para que abrissem uma investigação adequada ao incidente, a fim de identificar a causa da morte massiva de peixes que juncam o litoral do Niger Delta.
Algumas destas comunidades chegaram a relatar a morte dos seus cães que consumiram os peixes mortos. Isto é ainda mais perigoso, pois estes produtos químicos tóxicos podem entrar na nossa cadeia alimentar através da comercialização e do consumo destes peixes mortos por habitantes indefesos. Receia-se também que, se não for investigada de forma adequada e atempada, esta tendência possa prosseguir e até alastrar a outras comunidades, sabendo-se da interligação dos rios (no Niger Delta e noutros cursos de água na Nigéria). Estas comunidades precisam de ajuda, pois enfrentam as dificuldades causadas pelo confinamento imposto para conter a propagação do coronavírus e as ameaças decorrentes da poluição da sua água, que é a sua principal fonte de subsistência.
Numa entrevista, Nnimmo Bassey, diretor da Health of Mother Earth Foundation (HOMEF), manifestou sérias preocupações, afirmando que, quando o nosso litoral fica juncado de peixes mortos, isto pode ser uma indicação clara da toxicidade dos rios, o que pode suscitar preocupações de saúde pública em caso de consumo. Questionou por que razão não houve respostas por parte da NOSDRA, do Ministério da Saúde, do Ambiente e de outras instituições competentes, observando que «pelo menos a NOSDRA já deveria ter feito uma declaração concreta sobre o que exatamente aconteceu, sobretudo porque existem plataformas petrolíferas não muito longe da costa. Este assunto não deve ser varrido para debaixo do tapete só porque estamos a concentrar a atenção na pandemia de coronavírus.»
Há relatos de que a National Oil Spill Detection and Response Agency (NOSDRA) e a Nigerian Maritime Administration and Safety Agency (NIMASA) se deslocaram para recolher amostras dos peixes mortos e da água das áreas afetadas, para análise. Exigimos uma investigação completa e imparcial destas questões graves e que os responsáveis sejam levados a responder perante a lei com todo o seu rigor. Encorajamos as comunidades afetadas a manterem-se pacíficas e a recorrerem a todos os meios legais disponíveis.
Enquanto aguardamos com ansiedade os relatórios das investigações sobre o persistente aparecimento de peixes mortos no litoral destas comunidades, aconselhamos que os peixes mortos não sejam vendidos, comprados nem comidos, para evitar o envenenamento por aquilo que matou os peixes.
Assinado:
FishNet Alliance
Health of Mother Earth Foundation
Oilwatch Africa
